Volkswagen admite que precisa aprender com os chineses para sobreviver na era elétrica
Diretor de sustentabilidade da montadora alemã defende que bloquear a concorrência asiática não é solução — e que a própria China pode ensinar a VW a reagir mais rápido.
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A Volkswagen está diante de um dilema que ela mesma reconhece: ou aprende com os chineses, ou perde ainda mais espaço para eles. Segundo o Jornal do Carro (Estadão), Dirk Voeste, diretor de sustentabilidade da montadora, declarou à Fortune durante a Climate Week, em Nova York, que as montadoras europeias erram ao tentar preservar o modelo industrial do passado por meio de tarifas ou metas ambientais de prazo estendido. Para ele, o caminho é acelerar o desenvolvimento de elétricos mais baratos e absorver as lições que o mercado chinês tem a oferecer.
Os números explicam a urgência. O Jornal do Carro aponta que as entregas do grupo Volkswagen na China despencaram 36,6% no segundo trimestre, segundo dados citados pela Fortune. A própria montadora reconhece que o mercado local recuou 20% na comparação anual e que sua fatia encolheu 26%. A pressão vem de fabricantes locais que reduziram ciclos de desenvolvimento, dominaram baterias e software e passaram a oferecer veículos elétricos com preços e atualizações que as europeias ainda não conseguem igualar. A VW ainda segura mais de 22% do mercado de combustão no país, mas a tendência é clara.
A resposta da Volkswagen, segundo o Jornal do Carro, passa por uma estratégia chamada 'na China, para a China', com mais desenvolvimento e produção local. Voeste defende que a presença no país não serve apenas para vender carros — serve para entender em que velocidade o consumidor está mudando e o que a indústria precisa fazer para acompanhar esse ritmo. 'Você precisa encarar a competição como um desafio', afirmou o executivo à Fortune.
Além da disputa com os asiáticos, o Jornal do Carro destaca que Voeste quer transformar sustentabilidade em fonte de receita, não apenas de custo. O programa interno Regenerate+ reúne descarbonização, economia circular e biodiversidade, com foco em remanufatura, recondicionamento e reutilização de peças. A lógica, nas palavras do próprio executivo, é 'reduzir e crescer': cortar dependências e impacto ambiental enquanto abre novos negócios. Uma motivação pessoal também pesa: Voeste conta que sua filha, ao saber que ele havia recebido o convite para o cargo, foi direta — 'Você precisa limpar a bagunça que sua geração deixou.'
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