Stellantis perde 85% do valor de mercado em 30 meses e chega ao menor patamar de sua história
Grupo dono de Fiat, Jeep e Peugeot acumula prejuízo de US$ 26,3 bilhões em 2025 e vê ações despencarem para menos de US$ 4,50.
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A Stellantis encerrou um pregão recente com a menor capitalização de mercado de sua história: US$ 12,9 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 67 bilhões. Segundo o AutoInforme, o número representa uma destruição de mais de 85% do valor do grupo em apenas 30 meses — e, só no último dia analisado, os papéis recuaram 3,25%, o suficiente para a companhia ser ultrapassada em valor de mercado pela Hyundai indiana e pela Tata Motors. Para efeito de comparação, ações da General Motors eram negociadas a mais de US$ 80, enquanto os títulos da Stellantis mal chegavam a US$ 4,50.
O consultor de investimentos Bem Sturgill, mentor da Smart Data Trading, explica ao AutoInforme que tanto o Morgan Stanley quanto o banco Berenberg rebaixaram suas recomendações para os papéis da empresa, apontando linha de produtos ultrapassada, geração de caixa mais fraca e risco crescente de refinanciamento. Sturgill destaca que, apesar de a Stellantis gerar cerca de US$ 153,5 bilhões em receita anual, suas ações são negociadas a aproximadamente 0,22 vezes o valor patrimonial — um desconto que, em tese, pareceria atraente, mas que o mercado precifica assim por razões concretas.
O analista do banco Jefferies Financial, Phillipe Houchois, resume ao AutoInforme os fatores por trás da queda: prejuízo líquido de US$ 26,3 bilhões em 2025, baixas contábeis bilionárias, fracasso na transição para veículos elétricos, suspensão total do pagamento de dividendos e excesso de estoque no mercado norte-americano. O rombo, segundo o veículo, é mais que o dobro do associado à liquidação do Banco Master no Brasil. Houchois também pondera que o plano estratégico FaSTLAne 2030 prevê crescimento de receita em um dígito para 2026, mas com custos de reestruturação maiores do que o esperado e perspectivas pouco animadoras.
Apesar do cenário global sombrio, o AutoInforme ressalta que a operação brasileira do grupo parece relativamente isolada dos abalos: a Fiat mantém liderança no mercado nacional e conta com uma cadeia local de fornecedores consolidada. A planta pernambucana de Goiana, inclusive, comemorou recentemente a marca de 300 mil veículos produzidos — um dado que, segundo o veículo, pode ter distraído parte do público do quadro financeiro preocupante que se desenha na matriz.
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