Porsche corta 9.000 empregos e vende fatia na Bugatti Rimac para enxugar operação
Montadora alemã aprova pacote de reestruturação profunda para reduzir custos e manter rentabilidade mesmo com vendas abaixo de 200 mil unidades ao ano.
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A Porsche decidiu passar por uma das maiores transformações de sua história recente. Segundo a Quatro Rodas, a fabricante alemã aprovou um pacote de reestruturação que prevê o corte de 9.000 postos de trabalho e a venda de suas participações nas empresas Rimac e Bugatti Rimac. O objetivo declarado da diretoria é reduzir o ponto de equilíbrio financeiro da companhia a ponto de garantir rentabilidade mesmo que as vendas globais recuem para menos de 200 mil unidades por ano — patamar que reflete, em grande parte, o enfraquecimento prolongado da demanda no mercado chinês, historicamente um dos pilares de volume da marca.
A Quatro Rodas aponta que o enxugamento vai muito além das fábricas. No chão de produção, a meta é reduzir em até 30% as despesas com pessoal industrial, exigindo que as linhas de montagem passem a fabricar modelos diferentes com maior flexibilidade. Nos escritórios, a Porsche pretende eliminar 40% dos cargos de gestão executiva, com a justificativa de agilizar decisões e aliviar a folha do alto escalão. No médio prazo, a projeção é de uma redução de 25% no quadro global de colaboradores, com meta estrutural de chegar a 30% de corte.
Diversas frentes experimentais que não entregaram retorno financeiro serão encerradas, conforme destaca a Quatro Rodas. Entre elas estão o Cellforce Group, voltado ao desenvolvimento interno de baterias de alta performance, o braço de bicicletas elétricas Porsche eBike Performance e a divisão de software Cetitec. Além disso, a subsidiária de consultoria gerencial MHP também está em negociação para ser vendida. Na engenharia, as unidades Porsche Engineering e Porsche Digital serão fundidas em uma única empresa chamada Porsche Technologies, com expectativa de reduzir os gastos de desenvolvimento em até 20%.
Do lado dos fornecedores, a pressão também será sentida: a Quatro Rodas informa que a montadora exigirá uma economia de cerca de 10% no custo de materiais em projetos novos, recorrendo ao compartilhamento de componentes com Volkswagen e Audi. O dinheiro economizado em toda essa reorganização será direcionado para a eletrificação da linha e para o desenvolvimento de modelos posicionados acima do 911, sinalizando que a Porsche aposta em carros de altíssimo valor agregado como caminho para sustentar suas margens no longo prazo.
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