Mercado de veículos cresce 15% em 2026, mas importações chinesas preocupam indústria nacional
Anfavea revisa projeção para 3,1 milhões de unidades vendidas no ano, enquanto fabricantes locais alertam para desequilíbrio entre vendas e produção.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O mercado automotivo brasileiro vive um dos seus melhores anos em mais de uma década. Segundo a Autos Segredos, a Anfavea revisou sua projeção de vendas para 3,1 milhões de veículos leves e pesados até o fim de 2026 — crescimento de 15,2% sobre o ano anterior. A estimativa inicial, feita no começo do ano, era de apenas 2,7% de expansão. Em setembro, foram emplacados 281,4 mil veículos, um patamar que, conforme aponta a coluna de Fernando Calmon no portal, não era visto desde dezembro de 2014.
A Fenabrave, tradicionalmente conservadora em suas projeções, também reconheceu que "a demanda permanece forte", atribuindo parte do desempenho ao aumento da oferta de modelos híbridos e elétricos, de acordo com a Autos Segredos. No entanto, o otimismo vem acompanhado de alertas: enquanto as vendas cresceram 18%, a produção nacional avançou apenas 9%. As importações, por sua vez, saltaram 30,4% entre janeiro e setembro — e as marcas chinesas foram as que mais ganharam terreno, com alta de 106,4% no período.
O desequilíbrio preocupa lideranças do setor. A Autos Segredos destaca que o presidente da Anfavea, Igor Calvet, ressaltou que boa parte do crescimento da produção local vem de veículos montados a partir de kits importados da China, com baixo aproveitamento do parque nacional de autopeças e pouca geração de empregos diretos. Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul, foi além ao admitir, em entrevista citada pelo portal, que a indústria ocidental demorou a perceber o modelo verticalizado de produção chinesa — o que resultou em custos muito menores e abriu caminho para a exportação em larga escala.
Zola defendeu que a solução vai além de elevar tarifas de importação, sugerindo mecanismos que incentivem fabricantes a comprar insumos de fornecedores instalados no Brasil. A Autos Segredos lembra que EUA e União Europeia já reagiram com alíquotas muito superiores aos 35% praticados pelo Brasil, enquanto o país ainda não equiparou sua resposta à escala dos subsídios governamentais que sustentam as exportações chinesas. O cenário, segundo a coluna, ainda está em aberto — e o desfecho dependerá das escolhas de política industrial que o governo federal fizer nos próximos meses.
Fontes
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