Elétricos perdem metade do valor em quatro anos; híbridos e combustão se saem melhor na revenda
Levantamento do banco BV mostra que carros 100% elétricos depreciaram 50,1% entre 2022 e 2026, enquanto modelos a combustão perderam apenas 14% no mesmo período.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O mercado brasileiro de seminovos está passando por uma reconfiguração profunda, e quem comprou um carro elétrico nos últimos anos sente isso no bolso. Segundo levantamento do banco BV citado pelo Jornal do Carro (Estadão), veículos 100% elétricos adquiridos como zero-km em 2022 perderam, em média, 50,1% do valor até agosto de 2026. No mesmo intervalo, carros a combustão desvalorizaram 14,07% e híbridos, 22,59% — diferença expressiva que coloca os elétricos em outro patamar de risco financeiro para o comprador.
O Jornal do Carro aponta que a explicação para a queda acentuada dos elétricos está em três fatores combinados: o ritmo acelerado de atualização das baterias, o salto de autonomia nos modelos mais recentes e as próprias reduções de preço praticadas pelas montadoras nas concessionárias. Quando o carro novo fica mais barato e mais capaz, o usado da geração anterior perde atratividade rapidamente — e o comprador exige desconto para fechar negócio.
Os híbridos ocupam uma posição intermediária, e o Jornal do Carro destaca um motivo prático: por não dependerem exclusivamente de eletropostos, esses veículos mantêm liquidez em regiões onde a infraestrutura de carregamento ainda é escassa. A expansão da produção local de híbridos flex — adotada por Volkswagen, Stellantis e fabricantes chinesas com plantas no Brasil — também tende a estabilizar a curva de depreciação dessa categoria, já que facilita o acesso a peças de reposição.
O cenário de novos entrantes chineses adiciona pressão extra ao mercado de usados em geral, especialmente nos SUVs médios acima de R$ 200 mil. Conforme o Jornal do Carro indica, quando uma montadora lança um modelo zero-km mais equipado na mesma faixa de preço de um seminovo, o carro novo passa a funcionar como teto de valor para a negociação do usado — obrigando o vendedor a ceder no preço. Modelos populares com histórico de manutenção simples e alta liquidez, por outro lado, seguem depreciando dentro da média histórica e permanecem como opção mais segura para quem pensa em revenda.
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