Carro por assinatura cresce 275% em cinco anos e pode custar 90% menos do que comprar
Modelo ganha força no Brasil com Selic alta, eletrificação e novos contratos mais flexíveis para atrair jovens.
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O carro por assinatura deixou de ser novidade para se tornar uma alternativa consolidada no mercado brasileiro. Segundo o Jornal do Carro, a frota nacional do setor saltou de 80 mil para mais de 300 mil veículos nos últimos cinco anos, de acordo com dados da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla) — crescimento de 275% que reflete uma mudança real de comportamento entre os motoristas do país.
O Jornal do Carro aponta que, nas contas da própria Localiza, optar pela assinatura em vez da compra de um zero-quilômetro resulta em um Custo Total de Propriedade (TCO) menor em mais de 90% dos cenários analisados pela empresa. Bruno Saliba, head de produtos e operações da Localiza Assinaturas, explicou durante painel no evento Automotive Business Experience (ABX26), em São Paulo, que o modelo elimina despesas fixas como IPVA, licenciamento, revisões e a desvalorização do bem — fatores que pesam no bolso de quem financia ou compra à vista. A Selic elevada, ao encarecer o crédito bancário tradicional, empurra ainda mais consumidores para os contratos de longo prazo.
Ainda segundo o Jornal do Carro, o perfil predominante dos assinantes ainda é de motoristas acima de 35 anos e com maior poder aquisitivo — o contrato médio na Localiza dura cerca de 33 meses, com mensalidade acima de R$ 3 mil. Para alcançar o público jovem, a empresa lançou o Localiza Flex, produto com mensalidades mais baixas e taxa de rescisão antecipada próxima de zero. O dado que chama atenção: menos de 0,5% dos clientes opta por comprar o veículo ao fim do contrato, reforçando que o foco está no uso, não na posse.
O Jornal do Carro destaca ainda que a eletrificação surge como novo motor do setor: diante da incerteza sobre o valor de revenda e os custos de manutenção de híbridos e elétricos, a assinatura funciona como forma de experimentar a tecnologia sem assumir o risco de desvalorização. O modelo, porém, ainda enfrenta um obstáculo cultural — Saliba alertou que boa parte dos motoristas desconhece como o sistema realmente funciona. No campo competitivo, bancos e montadoras tentaram montar operações próprias, mas poucos sustentaram o negócio: a Porto Seguro, por exemplo, encerrou seu programa automotivo após reavaliar as margens, deixando o mercado concentrado em grandes locadoras como Localiza, Movida e Unidas.
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