Apenas 17% dos brasileiros pretendem comprar carro da mesma marca que já têm, aponta pesquisa
Estudo da Accenture revela queda drástica na fidelidade às montadoras e crescente interesse por eletrificados, mas consumidor ainda não entende as tecnologias.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O brasileiro está cada vez menos apegado à marca do carro que dirige. Segundo o estudo 'Consumidor Automotivo Brasileiro 2026', elaborado pela consultoria Accenture e apresentado no evento ABX26, apenas 17% dos motoristas pretendem comprar um veículo da mesma fabricante que já possuem. O levantamento ouviu 1.750 compradores de zero-quilômetro em todo o país e foi detalhado pelos executivos Andrea Cardoso e Juan Sanchez.
O Jornal do Carro (Estadão) destaca que o cenário é radicalmente diferente do registrado em 2023, quando marcas como Honda (73%), Chevrolet (68%) e Toyota (68%) ostentavam índices elevados de retenção de clientes. Hoje, 48% dos entrevistados afirmam que vão trocar de marca na próxima compra. Para Andrea Cardoso, a chegada das montadoras chinesas com tecnologia embarcada e preços competitivos — especialmente na faixa entre R$ 150 mil e R$ 300 mil — redefiniu os parâmetros do setor: "Esses entrantes definiram um outro patamar de tecnologia e posicionamento de preço", declarou a executiva, conforme relata o Jornal do Carro.
A pesquisa também aponta que a eletrificação é o principal motor dessa mudança de comportamento. Ainda segundo o Jornal do Carro, metade dos entrevistados (50%) planeja adquirir um híbrido ou elétrico nos próximos três anos, e as intenções de compra por veículos recarregáveis na tomada — EVs, PHEVs e REEVs — já superam 30%. O problema é o desconhecimento técnico: apenas 35% dos brasileiros sabem distinguir na prática tecnologias como MHEV, HEV, PHEV e BEV, enquanto quase metade (48%) reconhece as siglas, mas não compreende como cada sistema funciona. Juan Sanchez cobrou das montadoras um papel mais ativo na educação do consumidor: "A comunicação é essencial diante do baixo conhecimento do consumidor, e aproximar o cliente da concessionária faz toda a diferença", alertou.
A transformação digital também aparece como fator de decisão de compra. O Jornal do Carro aponta que 60% dos compradores topam pagar mensalidades por recursos de conectividade — como rastreamento 24h, Wi-Fi embarcado e diagnóstico remoto de falhas —, com demanda concentrada nos segmentos intermediário e de luxo. Outros 45% desembolsariam R$ 5 mil ou mais por pacotes de assistência à condução, como frenagem automática e câmeras 360°, sinalizando que a disputa por clientes no Brasil vai muito além do preço do veículo.
Fontes
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