Anfavea revisa projeções de 2026 e prevê melhor resultado em vendas desde 2014
Entidade eleva estimativa para 3,1 milhões de emplacamentos no ano, crescimento de 15,2% sobre 2025, enquanto produção avança em ritmo mais lento e exportações recuam.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O mercado automotivo brasileiro vive um de seus melhores momentos em mais de uma década. Segundo a Autoesporte, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revisou para cima suas projeções de 2026 e agora espera que o país emplace 3,1 milhões de veículos no ano — patamar não alcançado desde 2014. O crescimento projetado é de 15,2% em relação a 2025, bem acima dos modestos 2,7% estimados no início do ano. O Jornal do Carro (Estadão) detalha que a projeção anterior era de 3,014 milhões de unidades e que a nova estimativa, de 3,099 milhões, é puxada principalmente por automóveis e comerciais leves: para esses segmentos, a previsão subiu de 2,885 milhões para 2,970 milhões de unidades, alta de 16,4% sobre 2025. O Notícias Automotivas reforça que a revisão representa uma das correções de rota mais expressivas feitas pela entidade em anos recentes, sinalizando que o otimismo do setor ganhou respaldo nos dados concretos ao longo do ano.
Os dados de setembro reforçam o otimismo. A Autoesporte aponta que os licenciamentos do mês chegaram a 281,4 mil unidades, alta de 15,7% ante setembro de 2025 — resultado que, conforme o AutoInforme, não se observava desde dezembro de 2014. O acumulado de janeiro a setembro já soma 2,26 milhões de veículos, com crescimento de 18,1% no período. Dois fatores explicam boa parte desse desempenho: o programa Carro Sustentável, que injetou 84 mil unidades extras no segmento de entrada, e o avanço dos veículos eletrificados, responsáveis por outras 242 mil vendas. Os elétricos puros triplicaram suas vendas e, segundo a Autoesporte, os eletrificados já respondem por 20,1% de todos os emplacamentos de leves zero-quilômetro. O AutoInforme acrescenta que a Fenabrave, historicamente conservadora em suas estimativas, também reconheceu que "a demanda permanece forte" e sinalizou que revisará seus números de fechamento de ano, atribuindo parte do bom desempenho à maior oferta de modelos híbridos convencionais e plugáveis.
Na produção, o quadro é de avanço mais modesto. O Jornal do Carro informa que as fábricas brasileiras produziram 268,3 mil veículos em setembro — queda de 1,1% sobre agosto, mas crescimento de 10,2% na comparação anual. No acumulado de janeiro a setembro, a produção chegou a 2,17 milhões de unidades, avanço de 8,7% sobre o mesmo período de 2025. Com esses números, a Anfavea também revisou sua estimativa de fabricação para o ano: o Brasil deve produzir mais de 2,8 milhões de veículos em 2026, crescimento de 6,7% e melhor resultado desde 2019, segundo o Jornal do Carro. O AutoInforme reforça a assimetria ao destacar que, enquanto as vendas avançaram 18% no acumulado do ano, a produção nacional cresceu apenas 9% — lacuna que, conforme o Notícias Automotivas, evidencia a crescente dependência de veículos importados para suprir a demanda interna.
O cenário é bem diferente quando o assunto são os veículos pesados. O Jornal do Carro aponta que a Anfavea reduziu sua estimativa para caminhões e ônibus de 129,2 mil para 128,5 mil unidades em 2026, o que representa recuo de 6,5% — piora em relação à projeção de queda de 6% divulgada em junho. O presidente da entidade, Igor Calvet, atribuiu o desempenho mais fraco à expectativa de crescimento menor da economia brasileira: a Anfavea projeta expansão de 1,86% do PIB em 2026, ante 2,3% registrados em 2025. Calvet sinalizou, segundo o Jornal do Carro, que uma recuperação do segmento de pesados só deve se materializar em 2027.
Os números mensais até animam, mas o acumulado ainda preocupa. Conforme o Jornal do Carro, setembro registrou 10,2 mil caminhões emplacados — alta de 4,4% sobre o mesmo mês de 2025 —, mas de janeiro a setembro o total chegou a apenas 80,9 mil unidades, queda de 3,8% frente às 84 mil do mesmo período do ano anterior. Nos ônibus, setembro trouxe 2,4 mil unidades e crescimento de 21,2% na comparação anual, porém o acumulado de nove meses soma 16,9 mil, com retração de 4,4%.
A produção de pesados também foi revisada para baixo. O Jornal do Carro informa que a Anfavea cortou a previsão de fabricação de caminhões e ônibus de 143,2 mil para 139,8 mil unidades, queda de 8,2% sobre 2025 — movimento contrário ao da indústria como um todo.
Nem tudo, porém, são boas notícias no quadro geral. A Autoesporte destaca que as exportações acumulam queda de 23% no ano, reflexo da retração do mercado argentino e da crescente presença de veículos chineses na América do Sul. O Jornal do Carro acrescenta que, só em setembro, as exportações caíram 24,2% na comparação anual, totalizando 39,8 mil unidades no mês. A estimativa de exportações de pesados também foi cortada, de 29,7 mil para 27,2 mil unidades, retração de 18,7% sobre 2025 — de janeiro a setembro, o Brasil já exportou 20,6 mil caminhões e ônibus, ante 26,9 mil no mesmo período do ano passado. Considerando todos os segmentos, a Anfavea prevê embarcar 435 mil veículos em 2026, volume 17,7% inferior ao de 2025 e abaixo das 461 mil unidades estimadas anteriormente.
No sentido oposto, as importações subiram 30,4%, com os chineses respondendo por 55% dos 463,9 mil veículos que entraram no país, segundo a Autoesporte. O AutoInforme detalha que as marcas chinesas cresceram 106,4% na comparação de janeiro a setembro, capturando fatia expressiva do mercado nacional. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, alertou que parte do crescimento na produção nacional vem da montagem de kits desmontados importados da China (SKD), processo que gera poucos empregos e não movimenta o parque de autopeças brasileiro.
A pressão das importações chinesas reverbera em diferentes setores da cadeia produtiva. O AutoInforme registra que o presidente da Pirelli para a América Latina, Cesar Alarcon, recorreu a uma metáfora futebolística para descrever a situação: "Entramos em campo com três jogadores a menos contra pneus importados chineses". Já o presidente da Stellantis América do Sul, Herlander Zola, admitiu em entrevista citada pelo AutoInforme que a indústria ocidental errou ao demorar a perceber o modelo verticalizado de produção chinês, que resultou em custos significativamente menores e abriu caminho para a exportação global em larga escala. Para Zola, a solução não passa apenas por elevar tarifas de importação, havendo outros caminhos possíveis, como incentivar os fabricantes de veículos a comprar aço, pneus e plásticos de fornecedores locais.
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