Trânsito brasileiro matou 37 mil pessoas em 2024 — mais que o dobro das vítimas da guerra na Ucrânia
Com 102 mortes por dia, o Brasil acumula um custo humano e financeiro que políticas públicas já sabem como reduzir, mas não aplicam.
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O Brasil perdeu 37.150 pessoas no trânsito em 2024 — uma a cada 14 minutos, segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, citado pelo Jornal do Carro. Para efeito de comparação, o Jornal do Carro aponta que a guerra entre Rússia e Ucrânia, em curso desde fevereiro de 2022, somou 17,2 mil mortes de civis ucranianos em quase três anos, conforme dados da ONU. Nos três primeiros anos do conflito, o asfalto nacional registrou cerca de 106 mil óbitos — seis vezes mais.
O Jornal do Carro destaca que o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), criado por lei em 2018, prometia cortar pela metade o índice de mortos por 100 mil habitantes até 2028. O resultado foi o oposto: desde 2020, os óbitos cresceram ano a ano. Para Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), ouvido pela publicação, o problema vai além do comportamento individual. "Seres humanos erram. A política pública eficiente não parte da fantasia de eliminar completamente o erro, mas da obrigação de construir um sistema no qual esse erro não resulte em morte ou lesão grave", afirmou. Na sua hierarquia de prioridades, gestão pública e desenho das vias vêm antes da fiscalização e do comportamento dos motoristas.
As motocicletas concentram o drama com maior intensidade. Segundo o Jornal do Carro, motociclistas responderam por 41,6% das mortes em 2024 — contra apenas 3% no fim dos anos 1990, de acordo com dados do Ipea. O crescimento coincide com a expansão da frota: no ano passado, pela primeira vez na história, o Brasil vendeu mais motos (2,2 milhões) do que carros de passeio (2 milhões), conforme a Fenabrave. Pedestres idosos também aparecem como grupo crítico, representando um terço das mortes entre transeuntes. Já o impacto financeiro é igualmente pesado: o Ipea estima que os acidentes custam mais de R$ 50 bilhões por ano ao setor público — cálculo de 2015 que o próprio instituto considera conservador.
Fontes
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