O Bandeirante brasileiro que inspirou o Toyota FJ Cruiser nos bastidores
Executivos da Toyota usaram uma carroceria do Bandeirante zero-quilômetro para convencer Akio Toyoda a aprovar o projeto do FJ Cruiser.
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O Brasil teve um papel discreto, porém decisivo, no nascimento de um dos SUVs mais excêntricos da Toyota. Segundo a Auto+, o diretor de produto Dave Danzer e o vice-presidente Yoshi Inaba trabalharam em segredo com Akio Toyoda — então CEO da marca — em um canto da fábrica NUMMI, em Fremont, Califórnia, para criar o que viria a ser o FJ Cruiser. O ponto de partida foi um Toyota Bandeirante brasileiro zero-quilômetro: a equipe tentou encaixar sua carroceria na plataforma da picape Tacoma, só para verificar se a ideia de um SUV retrô fazia sentido.
A Auto+ explica que o Brasil era, até 2001, o único país do mundo ainda fabricando a geração FJ40 do Land Cruiser — batizada aqui de Bandeirante. Esse peso histórico encantava executivos japoneses e norte-americanos, e foi justamente esse apelo nostálgico que Akio Toyoda levou ao Japão para obter aprovação da alta cúpula. Com o aval conquistado, a Toyota trocou a plataforma da Tacoma pela do Land Cruiser Prado de 2002 — mais compacta e adequada ao perfil jovial que a marca queria projetar — e apresentou o FJ Cruiser Concept no Salão de Detroit em 2003.
Um detalhe curioso, destacado pela Auto+, é que a cor Voodoo Blue exibida no conceito não foi escolhida por designers: ela era simplesmente o tom padrão do software AutoCAD usado para modelar algumas peças do carro. A tonalidade agradou tanto que virou a cor oficial do protótipo. Após dois anos de testes em trilhas americanas — inclusive em Moab, palco das provas de certificação da Jeep —, a versão de produção foi revelada no Salão de Chicago em 2005, com ajustes como faróis halógenos mais simples, para-choques redesenhados para melhorar os ângulos de ataque e o estepe externo na tampa traseira, elemento ausente no conceito original.
Apesar de toda a história ligada ao Brasil, o FJ Cruiser jamais foi comercializado oficialmente por aqui, conforme aponta a Auto+. O modelo chegou às concessionárias americanas equipado com motor 4.0 V6 e carroceria de duas portas — uma aposta ousada num segmento dominado por SUVs de quatro portas —, consolidando-se como um nicho cult entre entusiastas de off-road que até hoje lamentam seu descontinuamento.
Fontes
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