Move Aplicativos bate R$ 2,2 bilhões em crédito, mas usa só 7% do total disponível
Programa do governo para motoristas de app e taxistas enfrenta gargalo na aprovação de crédito, segundo especialistas.
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O programa Move Aplicativos, linha de crédito criada pelo governo federal para facilitar a compra de carros por motoristas de aplicativo e taxistas, já aprovou R$ 2,2 bilhões em financiamentos — mas o número, apesar de expressivo, representa apenas 7,3% dos R$ 30 bilhões reservados para a iniciativa. Segundo a Autoesporte, o balanço foi divulgado pelo BNDES nesta sexta-feira (31), e mostra que 21.720 profissionais em 1.445 municípios já contrataram crédito, com valor médio de R$ 102 mil por motorista.
A Autoesporte aponta que o programa, anunciado em maio pelo presidente Lula, oferece juros de 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres, com prazo de até 72 meses e seis meses de carência. Para participar, o veículo precisa custar até R$ 150 mil, ser flex, elétrico ou híbrido flex — e ser fabricado por montadora habilitada no programa Mover. No caso de seminovos, apenas elétricos e híbridos flex estão elegíveis.
Mesmo com as condições favoráveis, o avanço lento do programa tem uma explicação clara, segundo especialistas ouvidos pela Autoesporte. A economista Tereza Fernandez afirma que "a análise de crédito está impedindo que o programa avance com mais velocidade", já que boa parte dos motoristas não reúne as condições exigidas pelas instituições financeiras. Ela também chama atenção para o peso das parcelas: financiar um carro de R$ 120 mil, mesmo com juros reduzidos, resulta em prestações elevadas para quem depende da renda variável das plataformas. O consultor automotivo Milad Kalume Neto reforça o ponto ao destacar, ainda segundo a Autoesporte, que "o risco de inadimplemento é alto" e que as instituições financeiras são as responsáveis pela análise — e estão sendo conservadoras.
Para quem busca um seminovo dentro do programa, a Autoesporte lista opções com preço médio abaixo de R$ 150 mil segundo a tabela Fipe: entre os híbridos flex, aparecem Fiat Pulse (R$ 107.493), Fiat Fastback (R$ 117.746), Peugeot 208 GT (R$ 120.769) e Peugeot 2008 GT (R$ 146.415). Já entre os elétricos, o Renault Kwid E-Tech lidera com menor preço médio (R$ 81.412), seguido por BYD Dolphin Mini (R$ 98.136), Geely EX2 (R$ 113.882), BYD Dolphin (R$ 118.540), GWM Ora 03 (R$ 120.391), GAC Aion UT (R$ 128.790) e Chevrolet Spark EUV (R$ 139.020).
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