Imposto de 35% para elétricos e híbridos importados entra em vigor; preços devem subir?
Brasil conclui escalonamento tributário previsto pelo Programa Mover, mas concorrência acirrada e estoques antecipados pelas montadoras chinesas devem segurar reajustes no curto prazo
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O Brasil chegou ao fim de um longo ciclo de transição tributária para veículos eletrificados importados. A Quatro Rodas aponta que a alíquota de importação para elétricos, híbridos convencionais e plug-ins atingiu o teto de 35% — limite máximo estabelecido pela Organização Mundial do Comércio — encerrando o escalonamento gradual previsto pelo Programa Mover, do Governo Federal. Conforme o UOL Carros, a nova taxa passou a valer oficialmente a partir desta quarta-feira (1º), concluindo um cronograma de reoneração iniciado em janeiro de 2024 após anos de alíquota zerada. Até pouco tempo atrás, os elétricos puros pagavam apenas 10% e os híbridos, 12%, numa política de incentivos que vigorava desde 2016.
Segundo a Quatro Rodas, a escalada ocorreu em quatro etapas ao longo de dois anos, dando previsibilidade ao setor — mas também tempo para que as montadoras chinesas se antecipem ao impacto. A publicação destaca que marcas como BYD e GWM repetiram a estratégia de importar o máximo de unidades antes de cada novo reajuste, formando estoques suficientes para abastecer o mercado nos próximos meses. O UOL Carros reforça que o mercado não trabalha com expectativa de alta generalizada de preços no curto prazo justamente por causa desse movimento de antecipação de estoques. Por isso, os consumidores não devem sentir elevação imediata nos valores nas concessionárias.
O InsideEVs Brasil reforça essa perspectiva ao apontar que, além dos estoques antecipados, a própria concorrência entre as marcas deve funcionar como freio natural a reajustes abusivos. Segundo o portal, empresas que já contam com produção local no país ficam isentas da nova alíquota sobre os modelos fabricados aqui, o que aumenta a pressão competitiva sobre quem ainda depende exclusivamente da importação — tornando difícil repassar integralmente o custo tributário ao consumidor sem perder fatia de mercado.
A Quatro Rodas lembra que a volta ao patamar pleno de taxação foi uma reivindicação da Anfavea, associação das fabricantes com produção instalada no país, que chegou a pedir ao governo a antecipação do cronograma diante do avanço das importações — que cresceram 38% nos primeiros cinco meses de 2024, com marcas chinesas respondendo por 82% do volume desembarcado. Do lado oposto, a Abeifa, entidade dos importadores, resistiu ao fechamento do mercado, argumentando que a abertura comercial dos anos 1990 foi a base da competitividade da indústria nacional. O Ministério do Desenvolvimento optou por manter o calendário original.
O efeito mais concreto da nova alíquota, conforme a Quatro Rodas, recairá sobre as marcas que ainda não têm produção local. Empresas como GAC, Geely, Leapmotor e MG precisarão acelerar planos de montagem nacional para escapar do imposto — em geral por meio de parcerias com grupos já estabelecidos no Brasil. BYD e GWM saem na frente: ambas já operam linhas de montagem locais, e a GWM anunciou até uma segunda fábrica, prevista para 2029 no Espírito Santo. O InsideEVs Brasil aponta que esse movimento de nacionalização da produção tende a se intensificar agora que o custo de manter a estratégia puramente importadora ficou significativamente mais alto.
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