GS Birotor: o Citroën com motor Wankel que foi genial demais para sobreviver
Produzido em apenas dois anos na década de 1970, o GS Birotor combinava tecnologia de ponta com um timing absolutamente errado.
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Segundo o FlatOut, poucos capítulos da história automotiva reúnem tanta ambição e tanto azar quanto o do Citroën GS Birotor. Lançado em 1973, o modelo chegou ao mercado carregando uma das tecnologias mais fascinantes já aplicadas a um carro de passeio: o motor rotativo Wankel de dois rotores — daí o nome "Birotor". A proposta era audaciosa mesmo para os padrões de uma montadora que já havia normalizado suspensões hidropneumáticas e tração dianteira quando ninguém mais apostava nisso.
O problema, aponta o FlatOut, foi o calendário. O GS Birotor estreou praticamente junto com a crise do petróleo de 1973, que transformou consumo de combustível em assunto de sobrevivência para qualquer fabricante. O motor Wankel, por sua natureza, bebia mais do que os motores de pistão equivalentes — e isso, num cenário de combustível escasso e caro, era um pecado capital. A Citroën encerrou a produção em 1975, com menos de 900 unidades fabricadas.
O desfecho, conforme relata o FlatOut, foi ainda mais radical: a montadora recomprou boa parte dos exemplares vendidos e os destruiu, tentando se livrar dos custos de manutenção e peças de reposição de um motor que não tinha futuro comercial. Hoje, os poucos GS Birotor sobreviventes são raridades absolutas, disputadas por colecionadores que enxergam neles exatamente o que a crise do petróleo não deixou o público ver — um carro genuinamente à frente do seu tempo.
A história do Birotor é, no fundo, um retrato fiel do DNA da Citroën: a montadora francesa que, segundo o FlatOut, transformou ousadia tecnológica em identidade de marca, mesmo quando essa ousadia resultava em fracasso comercial retumbante. O slogan "créative technologie" não nasceu do acaso — nasceu de décadas de apostas como essa.
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