DHT: entenda a transmissão híbrida que está conquistando os carros chineses no Brasil
Projetada do zero para veículos eletrificados, a caixa DHT combina motores elétricos e térmico sem a complexidade de um automático tradicional.
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A sigla DHT — Dedicated Hybrid Transmission, ou Transmissão Híbrida Dedicada — está cada vez mais presente nas fichas técnicas dos carros que chegam ao Brasil vindos da China. Segundo a Quatro Rodas, a tecnologia equipa modelos como o GWM Haval H6 e o Geely EX5 EM-i, e se diferencia das caixas automáticas convencionais por ter sido concebida do zero para trabalhar em conjunto com motores elétricos, sem precisar adaptar componentes existentes. O resultado, aponta a publicação, é um sistema mais leve, compacto e com menos engrenagens físicas do que um automático tradicional.
Por dentro da caixa, a Quatro Rodas explica que dois motores elétricos dividem funções bem definidas: um responde pela tração das rodas e pelo suporte em acelerações intensas, enquanto o outro age como gerador, dando partida no motor a combustão e recuperando energia nas frenagens. A central eletrônica do veículo gerencia esse fluxo em tempo real, priorizando a tração 100% elétrica em baixas velocidades, acionando o motor térmico apenas como gerador em modo série quando a bateria cai, e acoplando o motor a combustão diretamente ao eixo motriz em velocidades de cruzeiro — momento em que ele opera na faixa de maior eficiência.
Um ponto que chama atenção é a quantidade reduzida de marchas. A Quatro Rodas detalha que o DHT pode ter de uma a quatro relações, dependendo da montadora: a Chery adota de uma a três, a GWM usa duas — e chegará a quatro no Haval H6 PHEV35 a partir de 2027 —, enquanto o Geely EX5 EM-i opera com uma única marcha. A razão está na curva de torque dos motores elétricos, que entregam força máxima desde as primeiras rotações e cobrem faixas de giro muito mais amplas do que um motor a combustão. Com o elétrico assumindo a tração do zero até velocidades médias, as relações reduzidas de uma caixa convencional simplesmente deixam de ser necessárias.
O câmbio DHT, portanto, representa uma mudança de lógica na engenharia de transmissões: em vez de forçar o motor térmico a trabalhar em toda a faixa de velocidade, o sistema divide as tarefas entre as fontes de energia de acordo com a eficiência de cada uma. A Quatro Rodas ressalta que essa arquitetura entrega respostas ágeis sem o peso e a complexidade de uma caixa automática de oito velocidades, o que explica sua rápida adoção pelas montadoras chinesas que desembarcam no mercado brasileiro.
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