Carros conectados: atualizações over-the-air vão sustentar o valor de revenda por quanto tempo?
Tesla e Rivian colocam em xeque o futuro da depreciação em veículos elétricos que dependem de software para manter relevância.

O mercado de usados sempre foi regido por quilometragem, estado da lataria e histórico de manutenção. Mas segundo o portal Notícias Automotivas, Tesla e Rivian estão impondo uma variável inédita nessa equação: a capacidade de um carro receber atualizações de software ao longo dos anos — e o que acontece com seu valor quando essa torneira fecha.
A lógica, a princípio, parece favorável ao comprador. Um veículo que ganha novas funções, correções de segurança e até melhorias de desempenho via wi-fi pode envelhecer melhor do que um modelo convencional que sai de fábrica e nunca mais muda. O problema, conforme aponta o Notícias Automotivas, é que ninguém ainda sabe por quanto tempo as montadoras se comprometem a manter essa infraestrutura ativa — e o silêncio das fabricantes sobre prazos concretos é, por si só, um sinal de alerta.
Há um paralelo incômodo com o mercado de smartphones: aparelhos que deixam de receber atualizações perdem rapidamente apelo e, consequentemente, valor. Se a mesma lógica migrar para o setor automotivo, um elétrico 'descontinuado digitalmente' pode despencar nas tabelas de usados de forma muito mais abrupta do que qualquer carro a combustão já fez. O Notícias Automotivas ressalta que esse risco é especialmente relevante para compradores que planejam revender o veículo em três ou quatro anos.
O debate ainda está longe de ter resposta definitiva, mas ele já força concessionárias, seguradoras e financeiras a repensar critérios de avaliação. Segundo o Notícias Automotivas, a próxima grande batalha do setor não será apenas por autonomia de bateria ou velocidade de recarga — será pela confiança de que o carro comprado hoje continuará sendo relevante, funcional e seguro daqui a uma década.
Fontes
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