Anúncios na tela do carro: montadoras querem transformar a central multimídia em fonte de receita
Debate no setor automotivo discute como exibir publicidade nas telas dos veículos sem invadir a privacidade nem distrair o motorista.
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A central multimídia do seu carro pode estar prestes a seguir o mesmo caminho dos smartphones: exibir anúncios personalizados em troca de benefícios como pacotes de dados ilimitados. Segundo o Jornal do Carro, o tema foi debatido no evento Automotive Business Experience (ABX26), onde Antônio Azevedo, CEO da LogiGo, e Luciano Driemeier, gerente de novos negócios da Ford, apresentaram a lógica por trás desse modelo — uma nova linha de receita para as montadoras que, ao mesmo tempo, entregaria algo concreto ao motorista.
O Jornal do Carro aponta que a proposta vai além de simplesmente colocar um banner na tela. A ideia é que os anúncios sejam contextuais e úteis — como um desconto em troca de pneus ou um alerta de manutenção preventiva — e que o usuário tenha controle sobre o que recebe, conceito chamado de "power of choice" por Driemeier. A vantagem sobre o celular, segundo os debatedores, é a durabilidade do vínculo: a relação entre montadora e motorista pode se estender por toda a vida útil do veículo, algo que nenhuma plataforma digital convencional consegue replicar com tanta consistência.
Mas o caminho é cheio de obstáculos. O Jornal do Carro lembra que a BMW já gerou polêmica ao exibir conteúdo temático do Homem-Aranha na central multimídia, mostrando que o público ainda não sabe muito bem o que esperar desse tipo de experiência. Além disso, a personalização dos anúncios depende da coleta de dados sobre trajetos e hábitos do motorista, o que coloca o modelo em rota de colisão com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Azevedo foi direto ao ponto: "Não dá para tomar uma decisão sobre a experiência do consumidor em uma reunião apenas com a engenharia".
Há ainda a questão de segurança no trânsito. Conforme destacado pelo Jornal do Carro, uma propaganda que chame atenção em excesso deixa de ser incômodo e vira risco real ao volante — o que exige que qualquer implementação respeite normas de ergonomia e legislação de trânsito. O modelo é promissor, mas a indústria precisará equilibrar rentabilidade, privacidade e segurança antes de transformar o painel do carro em um outdoor digital.
Fontes
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